EM HARMONIA, REALIZAM O PLANO DE DEUS

Para compreendermos o homem, devemos olhar para Deus que nos fez à sua semelhança. Somos imagem e semelhança de Deus. A partir deste ponto, conseguimos compreender o homem que foi criado ser superior às demais criaturas e capaz de ter um relacionamento íntimo com Ele. O homem, sendo imagem e semelhança de Deus, traz consigo a fonte da dignidade que é composta por matéria e espírito. Adão, o Primeiro Homem, sendo figura do futuro, ao se ver sozinho conhece a identidade das outras criações e reconhece que nada possui a mesma dignidade que ele. Deus, vendo isso, dá a ele uma companheira, uma mulher que é formada da mesma carne e dos mesmos ossos, com um corpo e uma alma. Corpo e alma criados um para o outro, não podendo o corpo existir sem a alma e a alma sem o corpo. Juntos, completam-se através de suas faculdades, formando uma harmonia e uma justiça originais. A alma é composta de razão, inteligência, vontade, memória e imagem; o corpo é dotado de 5 sentidos (visão, audição, olfato, tato e paladar); juntas
se unem numa substância que chamamos homem.

Entendendo a criação, podemos compreender que os primeiros humanos, os apóstolos, os santos, enfim, todos viviam das mesmas alegrias e preocupações, angústias e tristezas que vivemos hoje. Todos eram e ainda somos guiados pelo mesmo Espírito Santo, quando adentro então a questão da Santíssima Trindade, onde Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. Deus também se fez homem humano através de seu filho, Jesus Cristo, que nos foi enviado para a salvação das nossas almas que estavam condenadas após a queda do homem no pecado original, que nos levou a uma desordem chamada concupiscência e na Cruz Jesus mata a inimizade entre o homem e Deus. Através de Jesus, o homem é revelado ao próprio homem. Ele veio ao mundo nascido da Virgem Maria, se fez um de nós, trabalhou, pensou, agiu, amou, viveu humanamente, se assemelhou a nós em tudo, menos no pecado. Nele a natureza humana foi assumida e não destruída. A igreja sabendo que o homem é guiado pelo Espírito Santo e que ele está em união com Cristo, se vê, portanto, ligada intimamente ao gênero humano. Segundo o Concílio Vaticano II, a igreja é cooperadora sincera do mesmo gênero humano, olhando para todos os homens, desejando proporcionar a fraternidade universal para que cada um possa
corresponder a vocação da santidade que Deus tanto deseja. (“Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.” 1Pd 1:15-16).

O ser humano nos dias atuais vem debatendo e questionando, muitas vezes angustiado, qual seria o lugar, objetivo, e finalidade do homem em meio a tantas descobertas e mudanças, questiona-se qual seria por fim o destino das criaturas neste universo. Através da fé dos fiéis, o concilio se viu obrigado então a dialogar sobre os diversos problemas que a humanidade estava passando, tudo à luz do Evangelho, colocando a disposição da humanidade a luz e energia da Igreja que, guiada pelo Espírito Santo, quer salvar e restaurar a sociedade humana. Deus nos criou para uma felicidade plena, completa, a nossa vocação é a alegria, fruto do Espírito Santo. (“Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente digo: alegrai-vos!” Filipenses 4:4), está é a missão do ser humano, transmitir a alegria de Deus, mas muitas não vezes não o fazemos porque não somos obedientes a Ele.

E hoje, precisamos cuidar com a falsa antropologia, quando defendemos e brigamos pelos direitos humanos, que achamos que temos, e não defendemos os direitos de Deus. (“Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.” Rm 1:21). Quando não defendemos os direitos de Deus, estamos cometendo um grande pecado que é causador dos outros pecados. Deus tem o direito de ser amado e servido; Ele é o criador do universo, tem o direito de ser adorado, honrado e obedecido; é Ele quem determina o destino da humanidade e nós, seres humanos, precisamos estar cientes da importância da fé, da obediência e do respeito às vontades de Deus. (“E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto.” Gn 1:31). Muitas vezes, não damos valor às obras de Deus; vivemos murmurando, reclamando e desprezando as oportunidades
que Deus nos dá; vendo isso, o diabo, que não criou nada, se alegra ao olhar os nossos corações afundados no pecado.

Não temos dignidade por aquilo que fazemos ou deixamos de fazer, somos dignos por sermos semelhantes e sermos criados a imagem de Deus, o nosso criador. Nós nos distinguimos dos outros seres vivos por podermos reconhecer e amar o próprio Deus e suas obras. Nascemos para vivermos em comunhão com Deus, para vivermos a nossa vocação de santidade. Diante desta verdade, devemos sempre nos perguntar se realmente estamos vivendo semelhantes a imagem de que fomos criados. Deus nos deu o poder de reinar e liderar sobre todas as coisas que Ele nos deu, fomos abençoados por Ele, nos pediu para frutificar, dar frutos, que não vivamos para nós mesmos. Deus nos deu toda a sua criação, e a nós foi atribuída a missão de cuidá-la e protegê-la.

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